A alteração do artigo sexto da Lei 12.551, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), determina que todos os trabalhadores que executam suas atividades fora do local de trabalho, seja em casa, seja à distância, passam a ter os mesmos direitos daqueles que exercem suas funções dentro das empresas. Com isso, o home office pode ser uma alternativa ainda mais interessante tanto para empresas quanto, principalmente, para funcionários. Segundo o Censo 2010, realizado pelo IBGE, mais de 30 milhões de brasileiros trabalham em casa.
No entanto, para essa informação realmente ser um fator positivo é importante que a empresa tenha uma estrutura preparada para essa modalidade e que o funcionário tenha o perfil adequado para o trabalho. De acordo com o consultor especializado em gestão de pessoas Eduardo Ferraz, é fundamental fazer uma análise do histórico de vida e do rastro profissional de cada candidato, para evitar problemas e frustrações futuras.
Para trabalhar bem em casa, segundo o consultor, a pessoa precisa ter algumas características básicas. Entre elas, ser disciplinada, pontual e organizada: “Se o funcionário já apresenta esse comportamento no ambiente de trabalho, ele também será assim em casa. Mudará apenas o contexto”.
O profissional que, ao contrário, precisa trabalhar em equipe, gosta de trocar ideias com várias pessoas e é muito sociável, certamente terá dificuldades para trabalhar isolado em casa. “Mesmo que em curto prazo a alternativa se mostre atraente, em médio e longo prazos ele não vai aguentar”, explica o consultor.
Outros problemas muito comuns enfrentados por quem opta trabalhar em home office é saber administrar a rotina e separar o público do privado. Trabalhar com filhos pequenos em casa pode ser muito estressante se não houver disciplina: “Os filhos sabem que o pai ou a mãe está logo ali ao lado, e isso pode dificultar a concentração. O ideal é ter uma estrutura adequada, com pessoas que possam dar conta das demandas do lar e combinar limites e horários”. Além disso, Ferraz destaca que é importante criar uma rotina como se estivesse na empresa, separando bem os horários para as atividades pessoais e profissionais: “Ou a pessoa cai na armadilha de trabalhar as 24 horas do dia ou acha que poderá trabalhar a hora que quiser e não terá nenhuma rotina. É preciso ter muita disciplina para evitar os extremos”.
Para evitar a perda de contato com a empresa, Ferraz sugere visitas regulares. “Você trabalha em casa, mas ainda faz parte da estrutura social e política da empresa. É importante estar atualizado e informado sobre o que está acontecendo no dia a dia da companhia. Pelo menos uma ou duas vezes na semana, vá trabalhar com a equipe no escritório, para ver e ser visto”, finaliza.
Eduardo Ferraz

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