
Tânia Cosentino
Presidente da Schneider Electric Brasil
"A economia de energia ganha prioridade."

Valério Garcia
Gerente-geral de automação industrial da Mitsubishi Electric Brasil
"A arquitetura orientada a serviços com respostas imediatas é o futuro."

Luiz Tadashiakuta
Diretor-geral da Omron Eletrônica do Brasil
"No futuro, a combinação internet + wireless + conectividade vai fazer a diferença."
"Ao decidir pela compra de um sistema de automação, o primeiro critério considerado pelas empresas era o preço, seguido pela possibilidade de redução do número de operadores, economia de consumíveis e embalagem. Hoje, esses itens continuam sendo analisados, mas um, em especial, saiu do 5º lugar, em 2007, e assumiu a segunda posição, em 2009: a economia de energia, considerada, hoje, o critério mais importante na hora da escolha de um equipamento industrial. A economia de água é outro item que passou a ser considerado desde 2009, segundo a pesquisa Europack-Euromanut Summer 2009."
As informações acima foram citadas por Tânia Cosentino, presidente da Schneider Electric Brasil, durante palestra sobre o futuro da automação no II NEI International Industrial Conference & Show, no qual moderou um brainstorm com os colegas Luiz Tadashiakuta, gerente-geral de automação industrial da Mitsubishi Electric Brasil, e Valério Garcia, diretor-geral da Omron Eletrônica do Brasil. Uso eficiente de energia, sistemas integrados e cloud solutions foram temas de discussão do encontro.
Segundo Tânia Cosentino, o consumo de energia deve dobrar até 2050 e o de energia elétrica, até 2030. Temos, atualmente, um bilhão e quatrocentos milhões de pessoas sem acesso à energia, muito concentradas nos países da África, Ásia e numa parte da América do Sul. O mundo está crescendo e as populações vão ascender. A capacidade produtiva aumentará e, consequentemente, o consumo de energia. "Enquanto dobramos o consumo de energia, precisamos dividir por dois a emissão de CO2. Nossa produção precisa ser sustentável e provocar o menor impacto possível no planeta", afirmou Tânia.
De acordo com o estudo "McKinsey Climate Change Special Initiative Research", os negócios em eficiência energética vão gerar, até 2020, oportunidades adicionais de US$ 45 bilhões, sendo 40% em países maduros, cujas oportunidades estão no setor predial, e 60% nas novas economias, destacando-se o setor industrial. "Essas oportunidades podem transformar o business de muitas empresas."
Na apresentação, a presidente alertou que muitas indústrias não têm informação suficiente sobre como identificar essas oportunidades em eficiência energética. Um caminho é buscar a eficiência de máquinas e processos para reduzir a energia consumida por unidade produzida.
Além da produtividade, a indústria tem outros desafios adicionais para considerar:
- Produção flexível ajustada às mudanças de matéria-prima e às saídas de material;
- Máxima disponibilidade do sistema de automação, capacidade de evolução e ciclo de vida;
- Necessidade constante de otimizar CAPEX e reduzir prazos do ROI;
- Segurança pessoal, dos ativos e da planta;
- Eficiência energética & gerenciamento de energia.
Todos esses desafios exigem uma solução integrada de automação que permita disponibilizar informação de qualidade, em tempo real, em nível gerencial. "Integração é a chave para otimizar a eficiência", afirmou Tânia.
Para uma integração simples, é necessário interoperabilidade de diferentes sistemas, ou seja, sistemas abertos a produtos de terceiros. "O processo de automação não pode ser considerado algo isolado na indústria. Essa área precisa estar aberta para as novas tecnologias já disponíveis. É preciso coragem para incorporá-las", enfatizou.
Arquitetura orientada a serviços
As máquinas precisam ser mais eficientes e gerar menor custo. Para isso, requerem a implementação de novas tecnologias. Luiz Tadashiakuta, gerente-geral de automação industrial da Mitsubishi Electric Brasil, prevê que a arquitetura orientada a serviços com respostas imediatas é o futuro. Para esse tipo de arquitetura não importa o ambiente operacional e nem os sistemas implantados. O que realmente importa é disponibilizar dados imediatamente. Isso muda as características dos produtos que estão sendo desenvolvidos atualmente pela indústria.
"Não basta vender máquinas eficientes. Elas precisam trabalhar com a internet e fazer uso das novas tecnologias, como o cloud computing. Talvez o negócio do futuro não seja vender máquinas, mas serviços, e prometer eficiência e produção. Esse modelo pode formar novos engenheiros capazes de trabalhar com 'n' máquinas e interagir com elas. Quanto mais rápido implementarmos essas inovações, mais competitivos vamos ficar", orientou Tadashiakuta.
"Estamos criando produtos inteligentes, redes mais rápidas que ofereçam respostas imediatas. Tudo para que no futuro as empresas possam trabalhar com serviços." Valério Garcia, diretor-geral da Omron Eletrônica do Brasil, disse durante a discussão que, no futuro, a combinação internet + wireless + conectividade vai fazer a diferença. "As tecnologias para os próximos 5 a 10 anos já estão disponíveis, mas precisam ser aplicadas", conclui.

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