
Richard Morley
Pai do PLC
"Um olhar para o futuro."
Com a vasta bagagem de quem é respeitado conferencista internacional, especialista em automacão industrial, Richard Morley surpreendeu a audiência do II NEI International Industrial Conference & Show ao afirmar que é possível chegar a uma razoável previsão do futuro industrial se examinarmos o passado e entendermos como ele se tornou o presente em que vivemos.
Em suas duas palestras, ele analisou as tendências que estão modelando hoje a fábrica do futuro e as estratégias para lidar com o imprevisível. Sua maior recomendação: pessoas e empresas precisam imaginar seu cenário futuro. A alternativa é nunca chegar lá.
As tendências, as empresas e as pessoas, as necessidades e os desejos de nossa cultura compõem um ambiente em transformação, no qual as novas tecnologias aparecem como se fossem mágicas.
Em seu primeiro conselho, sugeriu aos profissionais da indústria que persistam na previsão do futuro, porque é melhor errar as previsões do que não ter um cenário futuro, um projeto para realizar. E alinhou exemplos para mostrar que, no campo industrial, 60% das previsões geralmente ocorrem, mas antecipou que 40% não e, em alguns casos, estarão radicalmente erradas. Em 1901, por exemplo, os japoneses estavam certos quando previram o fim dos telefones fixos, mas, recentemente, a previsão de vender 1 milhão de iPads por ano foi desmentida pela venda de 1 milhão de unidades em um único dia.
A velocidade do desenvolvimento da eletrônica desmentiu muitas outras previsões. Em 1943, dimensionava-se o mercado mundial de computadores em 5 unidades; em 1949, a Popular Mechanics dizia que os computadores não pesariam mais do que 5 toneladas; em 1968, a engenharia da IBM perguntava-se para que serviria um microchip; em 1977, Ken Olson, um dos fundadores da indústria de computação, não via motivos para as pessoas terem um computador em sua casa. Finalmente, mas talvez o mais expressivo dos exemplos, a previsão de Bill Gates de que 640 kB devia ser memória suficiente para qualquer pessoa. Gates nega a autoria da frase, mas ela corre o mundo como uma lenda e exemplo de previsão equivocada.
Morley não se esquiva de fazer suas próprias previsões. Prevê, por exemplo, baterias wireless que operam com base na nanotecnologia, comunicações quânticas, manufatura em 3D, computação molecular, nanopintura, grades computacionais e, em futuro ainda mais distante, a computação molecular, a vida e a evolução artificiais.
As necessidades mais imediatas da indústria, contudo, segundo Morley, são decuplicar o uso da tecnologia em processos produtivos, aumentar o apoio na base de clientes, reduzir as vantagens injustas de concorrências e o tempo para o mercado.
A tecnologia terá maior impacto no comportamento das pessoas e da economia do que decisões políticas. As tecnologias mudarão o trabalho e, ao contrário do que se acredita hoje, a invenção será a mãe da necessidade.
As empresas e os profissionais da indústria precisarão ser capazes de inovar, adaptar-se a compreender cada vez mais os clientes, comunicar-se com eles, usar os dois lados de seu cérebro e, segundo Morley, ter um pouco de sorte. Isso também ajuda.

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