A Repsol YPF elevou sua estimativa do tamanho das reservas de petróleo e gás de xisto em Vaca Muerta, no sudoeste da Argentina. Segundo a empresa, provavelmente há ali o equivalente a 23 bilhões de barris, o que corresponderia a quase metade do pré-sal brasileiro (estimado em cerca de 50 bilhões de barris). Se confirmada, a reserva permitiria ao país rivalizar com os Estados Unidos na produção de gás e petróleo não convencional. Não está claro, porém, quando dessa reserva pode ser retirado.
Em novembro, a Repsol havia estimado a existência do equivalente a apenas 927 milhões de barris. A empresa, porém, alertou que a exploração das reservas exigirá uma enorme expansão da indústria petrolífera da Argentina. Serão precisos milhares de poços, centenas de sondas de perfuração e um esforço nacional para atrair profissionais, equipamentos e investimentos para dar conta da produção.
A Repsol hoje é a líder na exploração na Província de Neuquén, com investimentos aproximados de US$ 300 milhões. Segundo a Repsol, para a região atingir o seu potencial, as demais empresas que atuam ali teriam que fazer investimentos substanciais.
"Se a exploração for bem-sucedida em toda a formação de Vaca Muerta e houver o imediato desenvolvimento intensivo na área, a atual capacidade de produção de petróleo e gás da Argentina poderá dobrar em dez anos", disse a Repsol em comunicado. "Seria necessário fazer um vasto esforço de investimento, que chegaria a US$ 25 bilhões por ano."
Até agora, apenas uma pequena fração das reservas de Vaca Muerta foi desenvolvida. "A Repsol pretende perfurar 20 poços em 2012, sozinha e em conjunto com vários parceiros, para prosseguir a investigação dos potenciais recursos", afirmou a empresa na nota.
A declaração da Repsol ainda sugeriu que os investidores internacionais estão preferindo aguardar até ter confiança de que a Argentina, que enfrenta dificuldades energéticas, oferecerá garantias e que reivindicações trabalhistas não ameaçarão eventuais lucros. Nos últimos meses, o governo vem eliminando subsídios a combustíveis, enfrentou greves no setor petrolífero e está dificultando as remessas das empresas ao exterior.
Desde 1998, a produção de petróleo argentina caiu quase 32%. Já a de gás natural recuou em torno de 13% desde 2004, de acordo com dados da Secretaria de Energia do país. Para atender à demanda, a Argentina passou a importar gás liquefeito do Oriente Médio, o qual é transportado por navios. A importação de combustíveis pelo país dobrou em 2011, atingindo o nível recorde de US$ 9,4 bilhões.
Com gás, Polônia quer reduzir sua dependência da Rússia
A Polônia quer começar em 2014 a explorar cerca de 5,3 trilhões de metros cúbicos de reservas recuperáveis de gás de xisto, o suficiente para abastecer o país por mais de 300 anos.
O governo quer assim reduzir a a dependência energética da Rússia e a influência de Moscou sobre a Europa. Para isso, abriu as portas a grandes empresas americanas, como Chevron, Exxon Mobil, Conoco e Marathon, mesmo sob o risco de tensão com os russos.
A Polônia recorreu às empresas americanas porque elas dominam a tecnologia do gás de xisto. Os governos da Europa Ocidental estão tão ansiosos quanto a Polônia para diminuir a influência russa no fornecimento energético. Moscou fornece hoje 25% da energia consumida na União Europeia.
As autoridades russas, ao menos oficialmente, minimizam a importância das reservas polonesas, dizendo que elas comprovarão que o gás da Rússia é barato. "Estamos felizes que eles vão começar a produzir gás de xisto", disse o presidente da estatal russa Gazprom, Sergei Komlev. "Não acreditamos nesse mito do gás de xisto, de que ele é um gás barato. Isso não é verdade".
Fonte: Valor Econômico/TN Petróleo, fevereiro/12

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