A indústria brasileira de petróleo não deve encontrar o equilibro entre demanda e oferta de mão-de-obra em um futuro próximo, apontam analistas. Para 2012, não existe expectativa de arrefecimento do mercado de trabalho do setor, ao contrário, a 11ª rodada de leilões, esperada no passado e prometida pelo Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, não só traz a possibilidade de entrada de novas empresas no país como garante a abertura de novas frentes exploratórias.
Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), a próxima rodada contemplará, principalmente, blocos da margem equatorial, litoral norte do país. Mas enganam-se, a despeito do esforço dos headhunters em disputa para preencher os quadros técnicos das petrolíferas, os que acham que apenas aqueles afeitos às engenharias têm um futuro promissor no setor.
“A indústria do petróleo é enorme e as coisas que a afetam tomam tal importância que acabam exigindo especialistas de outras áreas. Os valores vultosos fazem com que tenhamos pessoas dispostas a se especializarem. Você tem demanda”, explica Mauro Khan, gerente-executivo do programa de pós-graduação executivaem Petróleo e Gás (MBP, na sigla em inglês) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mauro explica que este leque de oportunidades de carreira é altamente inclusivo, permitindo que profissionais de diversas áreas, ao conhecer os trâmites exclusivos da indústria de óleo e gás, sejam demandados por ela.
“A diferença é trabalhar na ou para a indústria de petróleo”, diz Mauro. Neste último caso, também faltam profissionais prontos para atender, dentro de suas áreas, as “peculiaridades” de uma indústria gigante – de gerentes bancários a analistas de frete internacional. O MBP já formou mais de mil alunos desde sua fundação, em 1998. Hoje, o curso requer um investimento de R$ 17 mil diluídos em um ano de estudo, mais o período necessário para elaboração e defesa das teses de cada aluno.
Em entrevista concedida em janeiro/12, João Amaral, gerente no setor de O&G da consultoria Michael Page, de contratação de engenheiros e executivos, lembrou que as empresas estrangeiras estão implantando no Brasil centros de pesquisa que visam desenvolver tecnologia em escala global para a indústria de petróleo. Referência em demanda por profissionais especializados, o segmento de pesquisa reafirma a importância da pós-graduação técnica.
“Vemos, no Brasil, uma área sendo bastante desenvolvida que é a de Pesquisa e Desenvolvimento, diversas empresas estão investindo (…) os profissionais que têm o curso de mestrado, doutorado são extremamente valiosos”, disse Amaral. As empresas citadas pelo analista investem em instalações na ilha do Fundão, onde ficam os cursos de Engenharia da UFRJ, o Cenpes (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras) e o Parque Tecnológico, no qual a iniciativa privada encontra espaço e subsídio público para suas unidades de pesquisa.
Fonte: Gustavo Gaudarde, Nicomex Notícias

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