Quatro acontecimentos até certo ponto recentes revelam mudanças significativas para melhor na forma como o mercado – interna e externamente - vê o setor sucroenergético: O Brasil importou etanol para suprir sua demanda crescente e a população entendeu a situação, não saiu a reclamar ao governo e ao papa. Provavelmente, os ânimos permaneceram serenos pelo fato de que a maioria do povo brasileiro em geral possui hoje pelo menos um veículo movido a combustível flexível, coisa que garantiu ao carro não ficar parado na garagem ou ele em filas de postos. O governo procurou empresários do setor e, em vez de lhe dar pitos públicos sob a alegação de que não se pode faltar etanol, oferece apoio e financiamento para ampliar a produção de cana, fazer retrofits em usinas antigas ou construir novas e modernas unidades greenfields. Antes disso, desde há cerca de dois anos e meio, grandes grupos privados multinacionais entraram no Brasil trazendo muito dinheiro na bagagem, por estar dispostos a investir neste setor sucroenergético que, comprovadamente, é ambiental, social e lucrativamente correto. Nos postos, já se vê inúmeros consumidores utilizando menos a calculadora para ver se o preço do etanol não ultrapassou os 70% do preço da gasolina – apregoado como mais vantajoso economicamente – do que completando o seu tanque com etanol, por ser um combustível limpo e oferecer mais potência ao seu veículo. Enfim, também na hora de abastecer o veículo, já está ficando na moda ser ambientalmente correto. Os próprios filhos destes consumidores já incentivam seus pais a escolher o etanol não apenas pelo preço, mas pelas suas bem menores emissões de CO2. O consumidor está, enfim, aprendendo a valorizar e a pagar pelo ambientalmente correto. Da mesma forma, a mentalidade mundial hoje também é de se pagar mais pelo ambientalmente correto. O mundo flex está tirando todos os medos. E tanto o mercado, quanto a população, o governo e os produtores parecem que chegaram a um consenso de que uma nova era energética chegou. A antiga visão de que o etanol tem que baratear tudo, como se as usinas fossem públicas, uma espécie de entidade pública, está mudando. Que continue assim.
Luiz Montanini

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